A Perfil entrevistou Marcela Gomes, mineira, arquiteta e esposa do empreendedor Tallis Gomes — fundador da Easy Taxi e da Singu, cofundador da G4 Educação e hoje presidente do conselho da companhia.
Além de acompanhar de perto uma das trajetórias mais marcantes do empreendedorismo brasileiro, Marcela vive diariamente os bastidores, os desafios e as conquistas de quem compartilha a caminhada ao lado de um visionário. Nesta entrevista, ela traz um olhar humano, verdadeiro e inspirador sobre esse papel tão importante — e muitas vezes invisível — de ser a base emocional e o porto seguro dessa jornada.

Como é, para você, dividir a vida com um empreendedor que vive em ritmo tão intenso?
Dividir a vida com o Tallis é desafiador, mas também é a oportunidade de ser melhor todos os dias. Como ele busca excelência em tudo o que faz e isso conversa muito com a forma como eu enxergo a vida - eu me sinto constantemente convidada a crescer como mulher, esposa e parceira. Desde que nos conhecemos, vivi um crescimento acelerado em várias áreas da minha vida. O próprio Tallis sempre diz que “o nosso meio nos molda”, e eu vejo isso claramente no nosso casamento.

O ritmo é intenso: muita pressão, agenda imprevisível, viagens e mudanças de plano. Ainda assim, procuro viver tudo isso com leveza, sabedoria e muita confiança no propósito de Deus. Busco ser um atalho, e não um atrapalho, na vida dele — e sinto que ele faz o mesmo por mim. Quando olho para trás, vejo o quanto amadureci e me sinto orgulhosa da mulher que estou me tornando.
De que forma você enxerga o seu papel na jornada do Tallis enquanto empreendedor?
Acredito profundamente na força e na influência que uma mulher tem na vida de um homem e levo isso muito a sério. Eu enxergo o meu papel como um lugar de muita responsabilidade, maturidade e parceria.

Como o dia a dia dele é intenso e cheio de decisões importantes, faço questão de que, ao chegar em casa, ele encontre um lar onde possa recarregar as energias e seguir firme no propósito em que estamos alinhados. Também assumo a responsabilidade de olhar de fora para o que ele está vivendo: observo a rotina, as decisões e as pessoas ao redor e, com calma, levo a ele percepções que protegem o que estamos construindo.
Um dos nossos padrinhos de casamento usou uma metáfora que traduz bem a nossa dinâmica: o homem é a cabeça e a mulher é o pescoço. A cabeça analisa e decide; o pescoço sustenta e direciona. O Tallis está à frente, concretizando e construindo o que todo mundo vê, eu sustento aquilo que não aparece, mas que é igualmente essencial para que tudo se mantenha de pé.

Quais foram os momentos mais desafiadores que vocês enfrentaram juntos ao longo dessa trajetória?
Estar ao lado de um homem público, sendo eu uma pessoa mais reservada, já trouxe alguns desafios ao longo da nossa trajetória. Vivemos situações em que a exposição, as opiniões externas e a pressão de fora exigiram muito da nossa maturidade como casal, mas também acabaram se tornando essenciais para o fortalecimento da nossa relação.
Ainda assim, os desafios mais marcantes, para mim, são aqueles em que um enxerga no outro o que não é tão bonito assim: limites, fragilidades, imperfeições. Nesses pontos de atrito, é preciso ter coragem para não idealizar, acolher a verdade do outro, se posicionar com respeito e, mesmo assim, escolher ficar.

Como vocês conciliam vida familiar, relacionamento e carreira em meio ao dinamismo do empreendedorismo?
Desde o começo, eu e o Tallis fomos muito claros um com o outro sobre o que é importante para cada um. Eu deixei explícito o que preciso para me sentir cuidada e presente na nossa relação, ele me escutou e respeita isso. Da mesma forma, ele sempre foi transparente sobre a agenda, as demandas e o tamanho da responsabilidade que carrega. Esse diálogo franco nos ajuda a caminhar na mesma direção.
A partir daí, criamos alguns combinados que valem muito para nós. Eu respeito o ritmo de trabalho e o propósito dele, e ele respeita os momentos em que a nossa relação vem primeiro: horários em que peço 100% de foco, presença e intenção para estarmos realmente juntos, criando nossas memórias. No fim, conciliar carreira, vida familiar e relacionamento passa por isso: alinhamento, compreensão e, principalmente, uma comunicação clara.
Que conselho você daria para outras mulheres que vivem ao lado de empreendedores ou que desejam empreender junto?
Tenham paciência, enxerguem os desafios diários como oportunidades, respirem e não levem tudo para o lado pessoal. Viver ao lado de um empreendedor é intenso, tem fases difíceis, mudanças de rota e muita pressão, então é fundamental lembrar que nem tudo é sobre você.
Quando a mulher tem autoconfiança e maturidade, ela entende melhor o contexto, consegue enxergar além da emoção do instante e escolher ser melhor para o outro sem se anular. E eu acredito muito nisso: quanto mais inteiras nós estamos, mais conseguimos transbordar e ser apoio verdadeiro.
“Procuro viver tudo isso com leveza, sabedoria e muita confiança no propósito de Deus. Busco ser um atalho, e não um atrapalho, na vida dele — e sinto que ele faz o mesmo por mim.”

Fotos: Divulgação/Rodrigo Sack Fotografia

