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Diálogos que geram negócios: como uma conversa despretensiosa vira contrato

 Bebel Rendeiro - Scheila Santos 

A gente aprendeu, gravando centenas de entrevistas no Powercast, que o que acontece fora do roteiro muitas vezes vale mais do que o roteiro.

É antes de a câmera ligar ou depois que ela desliga que o convidado baixa a guarda. É ali que aparecem os bastidores, os erros, as dúvidas e as histórias que dificilmente caberiam numa resposta preparada. 

Na verdade, essa lógica começou muito antes de existir microfone entre nós. Foi num carrinho de supermercado parado no corredor, com uma pergunta qualquer sobre um dia corrido, que começou um papo que não tinha hora para acabar. Empreendedorismo sem romantismo talvez comece exatamente aí: numa conversa que ninguém planejou.

Nós duas também chegamos aos negócios por caminhos diferentes. Uma mergulha mais na construção de marca, comunidade e relacionamento. A outra traz uma trajetória marcada pela liderança comercial e pelo desenvolvimento de novos negócios. Talvez seja justamente essa diferença de olhar que torne nossas conversas tão complementares. Perguntas diferentes revelam respostas diferentes.

Em cinco anos de estúdio, percebemos um padrão: as melhores histórias raramente aparecem na resposta pronta. Elas surgem quando uma pergunta pega o convidado de surpresa e o faz abandonar, por alguns minutos, o discurso institucional para pensar em voz alta. É nesse ponto que uma entrevista deixa de ser apenas uma entrevista. 

Já vimos um convidado chegar para falar de um assunto e sair combinando outro projeto com a gente. Já vimos uma marca que participou como pauta se tornar, meses depois, cliente. Não porque alguém tentou vender alguma coisa durante a gravação, mas porque uma boa conversa pode criar confiança antes mesmo de existir uma proposta comercial. E confiança muda a qualidade das relações de negócio.

 

Levamos essa mesma lógica para fora do estúdio. Nos eventos presenciais que reúnem empresários, executivos e investidores, tentamos criar ambientes em que as pessoas possam sair do discurso de elevador e realmente entender o negócio umas das outras. É curioso observar o que acontece quando ninguém entra na sala com a obrigação de vender. As pessoas fazem perguntas melhores. Contam mais. Escutam de verdade. E, muitas vezes, descobrem possibilidades que não estavam procurando.

Isso não significa, claro, que estratégia, planejamento e dados deixem de importar. Boa parte das decisões de negócio precisa de números, análise e cabeça fria. Mas existe uma camada que nenhuma planilha captura completamente: aquilo que surge quando alguém se sente à vontade para contar o que realmente aconteceu. O erro que mudou uma empresa. A decisão que quase deu errado. A oportunidade que apareceu por acaso. O problema que ainda ninguém conseguiu resolver.

Foi ouvindo centenas de histórias assim que entendemos que conversa não é o oposto de negócio. Muitas vezes, é o começo dele. Por isso, talvez valha a pena parar de tratar a conversa despretensiosa como perda de tempo. A próxima parceria relevante da sua carreira pode nascer na fila do café, no evento em que você quase não foi ou numa pergunta sincera sobre como está, de verdade, o seu negócio.

Do microfone ao carrinho, a lógica parece ser a mesma: conexão de negócio de verdade não costuma ser agendada. Ela é construída uma conversa de cada vez.

 


Bebel Rendeiro

@bebbelrendeiro 

É publicitária pela FAAP, atua há anos conectando tendências mundiais a estratégias reais de negócios. Co Fundadora do Powercast, acredita que conexões estratégicas são um dos principais ativos para o crescimento de pessoas e negócios.


Scheila Santos 

@scheila___

É bacharel em Direito. Atua há mais de 15 anos no mercado, liderando a área Comercial e o Desenvolvimento de Novos Negócios.



@powercast_


foto: @gilbianchini

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