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MAIS DO QUE VIDRO: A HISTÓRIA DE UM NEGÓCIO CONSTRUÍDO NA OPERAÇÃO

Antes de existir estrutura, existiu coragem.

Antes de existir empresa, existiu família.
A história da Seiva não começou em uma sala de reunião.

Começou nas ruas de Belo Horizonte, dentro de uma Kombi 1978 dirigida pelo meu pai. Eu estava ao lado dele, ajudando nas coletas, aprendendo sobre esforço, responsabilidade e persistência muito antes de entender o que era fluxo de caixa. No quintal de casa, minha mãe separava os materiais recicláveis. Não havia galpão, nem sistema sofisticado. Havia trabalho. E fé.

E, curiosamente, no início nem trabalhávamos com vidro.
Em Minas Gerais, simplesmente não existia destino estruturado para o material. O vidro era pesado, caro de transportar e pouco valorizado. A maioria o tratava como resíduo problemático.

Nós começamos a enxergar ali uma ausência — e toda ausência é uma oportunidade esperando alguém assumir o risco.
Foi em uma das primeiras grandes transformações do negócio que decidimos estruturar a cadeia do vidro no estado. Não haviam garantias. Apenas a convicção de que, se ninguém começasse, nada mudaria.

Empreender, para mim, nunca foi sobre ter todas as respostas. Foi sobre estar disposto a construir as perguntas certas.
Com o crescimento da operação, a jornada deixou de ser apenas minha.
Meu amigo Flávio Julio se juntou à sociedade, contribuindo para a profissionalização e consolidação da empresa . Mais adiante, meu irmão Maurício entrou como sócio em um momento decisivo, trazendo energia, visão operacional e reforçando a estrutura do negócio. A Seiva deixava de ser apenas um esforço familiar e começava a se tornar um projeto coletivo.

Ao longo dos anos, aquela operação ganhou método. O que era coleta virou logística organizada. O improviso virou sistema. Em 2017, já despontávamos como uma das maiores recicladoras de vidro do país em volume processado. Mas, naquele momento, percebi algo essencial: crescer não era suficiente. Precisávamos evoluir.
Foi quando mudamos nosso mindset.

Decidimos sair do modelo tradicional e iniciar projetos com máquinas próprias instaladas no ponto de geração. A proposta era resolver o problema onde ele nasce. A trituração local reduzia volume, aumentava segurança, trazia rastreabilidade e elevava o padrão da conversa com grandes multinacionais. Deixamos de ser apenas operação para nos tornarmos infraestrutura.

Essa virada nos levou a operar em dezenas de cidades brasileiras, conectando bares, restaurantes, hotéis, supermercados e grandes eventos à indústria vidreira. O crescimento foi intenso. As responsabilidades, maiores ainda.



Mas o caminho nunca foi linear.
O modelo de negócio se transformou diversas vezes para se adaptar às mudanças de mercado, ao encerramento de subsídios, às oscilações de preço e às novas exigências de governança. Expandimos. Recuamos estrategicamente. Reorganizamos operações. Aprendemos a consolidar antes de crescer novamente.
Empreender é entender que estabilidade é exceção — não regra.

Também ampliamos nossa atuação para o varejo com as máquinas 4R Glass, aproximando o consumidor final da reciclagem e incentivando um novo hábito de consumo responsável. Do pequeno bar independente às grandes redes nacionais, nossa missão passou a ser maior do que processar vidro. Queríamos inserir na sociedade uma cultura diferente — mais consciente, mais responsável, mais madura.

Ao longo dessa jornada, nunca me vi como alguém que construiu algo sozinho. Sempre fui parte de um time — e, mais do que isso, sempre me enxerguei como alguém a serviço dele. O papel do CEO, para mim, é criar condições para que as pessoas façam o extraordinário acontecer no ordinário do dia a dia.

Quando olho para trás, não vejo apenas toneladas recicladas ou contratos estruturados. Vejo um pai que acreditou no sonho do filho e dirigiu quilômetros sem saber onde aquilo chegaria. Vejo uma mãe ajudando no quintal, mesmo quando o futuro era incerto. Vejo sócios que acreditaram e ajudaram a transformar esforço em empresa.

E vejo persistência.
A história da Seiva não é sobre vidro.
É sobre acreditar quando ninguém acredita.
É sobre continuar quando parece mais fácil parar.
É sobre entender que propósito e resultado precisam caminhar juntos.

Todo grande negócio começa pequeno.
Todo empreendedor começa inseguro.
Toda transformação começa invisível.

O que muda o destino não é a origem.

É a decisão diária de continuar.

E nós ainda estamos indo.

MINI BIOGRAFIA
Daniel Araujo Nascimento é fundador e CEO do Grupo Seiva, empresa especializada em logística reversa e micrologística de vidro no Brasil. Empreendedor desde 2012, liderou a expansão da companhia para dezenas de cidades e estruturou projetos com grandes multinacionais, consolidando um modelo sustentável, escalável e orientado por propósito.


Instagram: @eudaniel.nascimento
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/daniel-nascimento-4b35469/
Site: gruposeiva.eco.br

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